9 ~ Agustina Como Ninguém
Foi na Alemanha e passou-se há uns anos. (...)
Verdade? Ficção? Não o sabemos. Mas que se trata de uma homenagem muito inteligente a Agustina Bessa-Luís, disso não tenho dúvidas.
Este relato pode também simbolizar, por um lado, a escritora como desvendadora de mistérios. Por outro, a leitora como uma presença fugaz que só se anuncia a si própria pela admiração e pela paixão; e em que, fora destas, desaparece e se torna vaga e indistinta.
Deverá a leitora tentar aproximar-se mais? Será que esta crónica revela os limites que os escritores gostariam de ver os seus leitores respeitar? Suspeito que sim. E, aliás, parece-me bem. Porque a pessoa e o escritor raramente coincidem. Na maior parte das vezes, o estado de espírito da escrita está muito longe do estado de espírito do dia a dia. Assim, quem conheceu o escritor ou o artista (nos momentos superiores da existência) poderá desiludir-se ao conhecer a pessoa (no resvés do dia a dia). Seria isso o que se passaria com Agustina Bessa-Luís e com Lídia Jorge? Com esta última, a minha experiência pessoal leva-me a dizer "Não". Quanto à primeira, temos o testemunho da própria Lídia Jorge e a resposta é também obviamente "Não".
Obrigada até ao fim da minha vida, por todas as suas viagens, Maria Agustina.
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